Verdades e Mentiras – 4G e 5G

Aqui é um artigo diferente, entregue em forma de discussão que aconteceu no Master Things, um mastermind que reúne experts em IOT com o propósito de alavancar oportunidades de Internet das Coisas com pauta de relevância do Ecossistema de Internet das Coisas.

A inspiração da discussão começou após a reportagem do programa FANTÁSTICO transmitido pela TV Globo em 25 de Outubro de 2020.

O objetivo é que você tenha novas perspectivas sobre 5G e aplicações em Internet das Coisas.

O que você verá neste texto são experiências reais de quem faz a Internet das Coisas uma realidade no Brasil e no mundo.

Provavelmente você já viu uma linha do tempo como a figura abaixo, não é mesmo?

 

Mas não é bem assim… 

Posso afirmar com a propriedade de quem participa de projetos e por isso quero te  atualizar da verdadeira história: 

O Brasil já fazia as conexões M2M (Machine to Machine) utilizando o canal de voz através de conexão discada mesmo antes da rede GSM entrar no ar, depois evoluímos para aplicações usando o SMS para enviar comando remotos para dispositivos conectados e depois chegou o EDGE, popularmente conhecimento como 2G que até hoje lidera as conexões de IOT para aplicações de rastreamento veicular e para as máquinas de cartão de crédito sem fio (PoS – Point of Sale).

Ou seja, o IOT já existe. Mesmo sem a operação do 5G. 

Desde do ano 2.000 participo de projetos como estes. Muitas das milhares de conexões M2M mapeadas pela Anatel passaram por mim.

Hoje, tenho muito orgulho de mostrar pra você outras experiências e visão do IOT acontecendo sem precisar da rede 5G.

Aliás, o IOT roda até no ZERO G (0G)- jargão que está se popularizando por outras redes que nasceram para atender a demanda de conexão das pequenas coisas.

Não é foco falar do 0G neste artigo mas, caso tenha interesse, você pode CLICAR AQUI  para conhecer o que é a REDE ZERO G.

Todos os nomes que você lê a seguir são Membros do Tudo Sobre IoT, confira o que a comunidade pensa e tem refletido sobre o tema 5G:

Para Seilly Heumann:Bom, fica claro na reportagem que 5G é negócio de operadora e IoT é solução para ganho de eficiência num dado processo.”

Sinto na obrigação de esclarecer a você leitor desse artigo que atrelar o 5G a operadora é uma MENTIRA.

Dentre os diversos modelos de negócio de IoT suportados pela rede 5G, cabe ressaltar que, além das operadoras móveis, há oportunidades para Empresas Privadas terem sua própria rede 5G (privativa) ou compartilhar recursos com as Operadoras.

Seilly complementa “A TIM, por exemplo, vem procurando agregar valor. Não podemos perder a parte que nos cabe no negócio, não podemos ficar omissos. Temos que trabalhar unidos para não ficar de lado no processo. É briga de cachorro grande”.

O expert se refere que a operadora não fica mais restrita só na comercialização da rede (serviços de telecom) e pode agregar outros serviços.

Engraçado que a reportagem se referiu que tem Operadoras no Brasil falando que já tem o 5G implantado e segundo a reportagem “mas não tem” e logo em seguida que acabou a reportagem vem a propaganda da CLARO falando sobre a disponibilidade do 5G.

Sandro Tamman esclarece: “A Claro cunhou as terminologias 3,5G para HSPA e 4,5G para simplesmente usar toda a largura de banda 3G e 4G que o resto do mundo já tinha. Agora como não tinha um 4,75G resolveram usar o 5G DSS que usa as frequências do 4G para quem tem celular 5G. Algo > 100kbps de troughput

 

Entenda o que é o 5G DSS de forma resumida: 

5G DSS (Dynamic Spectrum Sharing) explora o fato de que ambos 4G LTE e 5G NR ser baseado na tecnologia OFDM e introduz técnicas para que estes operem juntos de maneira coordenada, usando o mesmo espectro/faixa/canal de frequência e permite que a rede da Operadora divida os recursos dinamicamente entre usuários 4G e 5G em cada célula local.

Isso acontece porque diferente das tecnologias celulares atuais onde precisavam ser implantadas em blocos de espectro separados – como foi o caso de 2G, 3G e 4G. Isso exigia que as Operadoras comprassem novo espectro ou realizassem modificações do espectro existente para alocar a nova geração. Este é um processo muito lento e caro.

O DSS se propõe, portanto, a resolver o desafio da falta de espectro adicional de bandas baixa e média específicas de 5G.

Como referência de velocidade, nos testes realizados pela reportagem da UOL, detectou uma diferença do 4G para o 5G DSS em torno de 70% maior.

Para o usuário usar a rede 5G DSS o celular tem que ser compatível 5G Ready DSS.

Vale ressaltar que o 5G DSS não é a experiência plena do 5G, que só teremos de fato depois da licitação das faixas de RF pela Anatel.

A vantagem é que as Operadoras podem ativar a tecnologia remotamente através de uma atualização de software em qualquer rádio 5G Ready.

 

Para Fábio Brito: “Não acredito que o projeto de implantação (5G) está atrasado, foi identificado alguns itens para melhorar, tem que ser feito e vai ser se implementado no 1. Trimestre de 2021, está bom se implementado. A grande questão é a briga política, da mesma forma que a Huawei pode ter informações e enviar a uma base para análise governamental, todas as outras também. Não acredito que a Huawei ou qualquer outra queira isso. O governo Chinês sabe muito bem administrar o que é política interna e externa, o que eles mais querem é produzir. A questão política vai por dois caminhos, se o Brasil escolher a Huawei terá sanções, se for contra, terá benefícios, mas quais são? Não acredito em benefícios mais sim em atraso.”

 

Para o Doutor Lourival Moreira: “Acho que o atraso citado foi no sentido da demora do leilão da ANATEL. Enquanto não sai, prende o avanço.”

 

Complementa Rodrigo Santana: Tínhamos (Anatel) previsão de lançamento do edital do 5G para este ano. O atraso foi ocasionado pelos estudos para mitigar a interferência das redes 5G com TVRO (satélite na banda C). Tivemos que realizar novos testes para termos certeza da melhor decisão tomar: migrar p banda Ku ou mitigar a interferência nas antenas receptoras instaladas na casa do usuário. A pandemia atrasou muito os novos testes.” 

 

Lourival Moreira complementa: “Impasses sempre atrasam os processos. E neste caso, não é um caso trivial, dados os múltiplos legítimos  interesses afetados.” 

 

Sandro Tamman acrescenta: “o Brasil é muito grande, precisaremos de centenas de milhares de elementos de rede, a começar pelos irradiantes/células. Mas se der tudo certo, não teremos somente as 3 incumbents participando… precisaremos de toda a livre concorrência disponível para que os custos, os prazos e as melhores tecnologias estejam à disposição.” 

 

Fabio Nori ressalva: “A Anatel é extremamente zelosa com os aspectos da concorrência. Assegurar a competição é uma constante preocupação dela. Acredito que ainda é um problema o licenciamento das antenas. O recente decreto, infelizmente, ainda deixa espaço para medidas judiciais.”

 

Para compreender o que Fábio Nori quer dizer é que precisamos em média de 10x mais antenas para cobertura do 5G quando comparada com 4G e há leis que prejudicam a expansão da instalação e para resolver ou minimizar o impacto há o DECRETO Nº 10.480, DE 1º DE SETEMBRO DE 2020 que coloca em pauta a EMENTA: Dispõe sobre medidas para estimular o desenvolvimento da infraestrutura de redes de telecomunicações e regulamenta a Lei nº 13.116, de 20 de abril de 2015.

 

Para Maurício Alcântara: “Minha visão não é otimista para o 5G no Brasil, pois além dos costumeiros entraves administrativos do governo e legislação, agora temos uma questão política envolvida e na qual o grande tubarão branco quer dominar o peixinho iludido com a isca. Nosso país tem, mais uma vez, oportunidade única de se desenvolver nas tecnologias envolvidas com o advento do 5G. Não vamos desperdiçar esse momento!”

 

O que toda comunidade concorda é

O Brasil tem muito mercado para IoT mesmo sem 5G

Guilherme Schubert: “O IoT que rodará no 5G não é o IoT que roda nas redes LPWAN

 

José Almeida nos convida para uma reflexão: “Imaginar que as operadoras vão investir fortunas nas licenças e na implantação da rede 5G para colocar uma cobertura em algumas áreas restritas e que exige modems nos celulares e devices com fallback para 4G  e que não tem a qualidade exigida. Será que é isso que queremos agora ou não seria melhor esperar para termos um 4G pelo menos com mais qualidade para ser um fall back minimamente confiável do 5G? Acho infelizmente ainda cedo e por culpa do Brasil, investir em 5G.”

 

A discussão seguiu mas não posso revelar TUDO a vocês! Isso aqui iria virar um livro. E a sua opinião qual é? Registre nos comentários, tem um espaço exclusivo para você no final deste artigo.

O 5G realmente vai mudar a realidade e trazer serviços que ainda não são possíveis, por precisarem não só de banda mas especialmente de latência tais como Cirurgia Remotas e Carros Autônomos.

Acredito que a solução que sua EMPRESA ou você requer dá pra resolver com o IOT que já é entregue atualmente e tem mais… desafio você a revelar aos nossos expert as dores da sua operação e/ou seus projetos de inovação.

A comunidade Tudo Sobre IoT conta com um variedade de especialistas que representam Empresas com grande representativa no Ecossistema de Internet das Coisas, eles estão pronto para te atender. Fale com a gente. Escreva para [email protected] e conte sua demanda para nós!

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